Prólogo

Nome: Adam Dorian Gray Kenney

Local: E teria eu outro berço que não a Inglaterra?

O que amo: Amor, amar. A Noite. A Vida, Poesia. Amantes

Este é meu diário de memórias. Aqui estará relatado tudo o que passei, vivi, todos os rostos que encontrei.
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4:03 PM
 

Depois do jantar


E a noite seguiu em mais um daqueles jantares da corte. Sim, meu bom amigo Henry demorou-se a chegar. Devo admitir que sinto uma enorme alegria quando meus olhos podem cair no semblante despreocupado de meu prestimoso amigo. Henry e sua forma sem modos de ver o mundo. É engraçado como não consigo irritar-me com os olhos castanhos que ele possui. Mesmo detestando atrasos. Mesmo atrasando-me para um jantar que há tempos prometia, não consigo resistir a vontade de sorrir quando caminho a seu lado. E isto. Isto me deixa deveras confuso. Mas não irritado. O que me deixou irritado na noite anterior, foi o fato de Henry resolver levar sua insossa esposa. Seria difícil para mim descrever aqui nesta folha, o que sinto ao ver tão bela dama. Sim porque devo admitir que é bela. Mas tomada de um enjôo que me sobe as víceras quando a vislumbro na companhia de Henry. E ele quase, por sua estúpida brincadeira de irritar-me consegue me fazer perder a noite. Mas fui um cavalheiro, como toda a corte sempre espera que eu seja e seguimos para a residência de Lady Brandon. Durante todo o trajeto fomos calados dentro da carruagem e não teria como ser diferente. Apenas o ar da noite ao meu rosto e o ruído da cidade que vive do lado de fora enquanto o ressoar dos cascos dos cavalos complementavam a orquestra.
A residência de Lady Brandon é de um esplendor sem precedentes. É por deveras irônico que tal bela casa abrigue uma senhora de beleza enrugada pelo tempo. Ahhh.. o tempo pode ser por demais cruel com algumas pessoas. Lady Brandon havia feito um jantar para recepcionar a mim, e uma outra convidada. A Condessa de Farahat. Uma bela mulher. E todo o meu mau humor pela presença torpe daquele estúpido ser que carrega a aliança de Henry desfez-se como que por encanto, quando pelas mãos enrugadas e velhas de lady Brandon pude ser encaminhado para a sala onde estavam os outros convidados e a Condessa. Lady Brandon fez questão que eu a acompanhasse e seria para mim um real prazer fazer companhia aquela beleza impar durante o jantar. Fora que me permitia devolver a Henry a mesma sensação de incômodo e eu pude confirmar durante o jantar por seus olhos quando pairavam sobre a mulher de negro ao meu lado.
Uma mulher de posses e de difícil aproximação eu diria, aqui nestas intrépidas linhas. Sim. Herdeira da fortuna do velho Conde de Farahat. Não sei muito sobre ele, talvez eu devesse estuda-lo um pouco mais para tentar nova aproximação. O que se conta a boca miúda na cidade é que era um velho. Daqueles que se teria nojo em ir para cama. Ora então devo conjecturar que a condessa jamais foi feliz neste intento. E eu, como bom cristão devo promover a ela tal alegria. Devo fazer a pobre mulher sorrir e conhecer a verdadeira maciez de um lençol de seda. Ou mesmo o gosto que possui verdadeiramente o sabor do suor de um varão. Não. Eu não disse que esse diário seria de palavras recatadas ou rebuscadas. Seria educado como eu o sou. Mas em se tratar de assuntos íntimos, não é necessário que as palavras sejam letradas, me desculpe o trocadilho.
Rendi-me de elogios a tal figura durante o jantar, aproveitando para alfinetar meu bom amigo que viu-se obrigado a dividir a minha atenção com a condessa. E confesso que foi com brilho no olhar que pude confirmar seu belo sorrir. E era, por Deus, era um sorriso magnífico que não deveria ficar oculto por rendas negras por todo o tempo. Ela lida com fumo. É bom que fique como nota nestes escritos. Tanto o assunto sobre fumo ao qual deverei me aprofundar quanto a beleza do sorrir daquele mulher que poderia equiparar com a chilreada dos pardais por entre o verde laçado das folhas de hera e as sombras azuladas das nuvens que habitam o lado de fora deste meu casarão. O jantar prosseguiu calmamente, salvo algumas divertidas alfinetadas de Henry, salvo aquela mulher estúpida que lhe tornava o semblante tão austero. Onde o riso sincero não habitava para mim. Coube a mim levar a viúva para casa, coube a Henry levar sua eterna tristeza e devo crer que realizar suas funções de marido, se é que conseguiria. Devo admitir que talvez seja aquela mulher a única que não me faça febril para estar entre os braços. Para estreitar entre os meus. E pela glória, ela não é de todo feia, nem se parece um embucho como tantas que estavam naquele jantar. Mas é de fim, sem graça. Uma folha de papel em branco que jamais será sequer rascunhada. Pobre Henry. A mim, coube estar com a palidez bela da viúva que pousou seu braço em meu braço e pude sentir a delicadeza do perfume que vinha por debaixo do insistente véu. Coube leva-la até sua residência em East End. E aguardar como um bom rapaz que ela adentrasse o casarão e se despedisse sem sequer me convidar para um café. Ah! Como gostaria de conseguir descrever o sorriso divertido que me desenha os lábios agora. Talvez, naquele retrato que tenho oculto pelo tussor esteja retratado, Um dia quem sabe, quando eu conseguir olhar para ele sem sentir esta sensação estranha que me toma por inteiro eu possa confirmar. Coube despedir-me da Condessa Farahat com um singelo e delicado beijo nas mãos e a afirmação do meu interesse por aplicações em fumo. Se eu entendo de fumo? Patavinas. Mas devo admitir que será no mínimo interessante. Prometi que a visitaria para que ela pudesse me explicar mais sobre o negócio e pude vislumbrar o azul de seus olhos. Ali, na soleira de sua residência, creio que parte de minha alma se perdeu. Parte da alma que me faltou para tocar o piano por hoje. Talvez a mesma que me falte para tocar com Henry, neste momento na sala, onde ele está. Quem sabe eu a encontre na visita que farei para ela, ou mesmo no jantar com Lady Agatha em dois dias. Agora devo me apressar. Henry está na sala e jamais suportou esperar. Chega a ser engraçado, um atrasado que exige pontualidade. É só por hoje.



Assinado por Dorian Gray

2 :...E assim segue um novo dia...:

Com calma posso observar as anotações que deveriam estar guardadas longe do meu olhar, mas o que mais eu poderia ansiar, se não os escritos nem tão comportados do Jovem tão cobiçado por tantos. Devo deixar meu sorriso escapar de forma matreira de meus lábios ao lembrar-me de Milady Brandon tentando arranjar para meu formoso amigo uma companhia agradável e quem sabe alguém que algemasse-o. A companhia de minha amada esposa foi deveras proveitosa naquele jantar. Como sempre ela conseguia contornar as situações e salvar a minha pele de momentos constrangedores. Devo confessar que o ciúmes que ela possui de minha amizade com o Jovem Dorian é um tanto quanto revigorante e mais revigorante vai ser o bailar de meu charmoso amigo para conseguir arrancar mais do que palavras frias de Milady Faraht. Não que eu o subestime. De forma alguma eu faria isso ou se não eu poderia entregar-me a minha verdadeira função de Marido e alguém entediante na sociedade que vivemos. Ah! Doce Dorian, deixai que suas letras tão bem desenhadas tragam ao curiosos suas verdadeiras conquistas, pois desta forma estás a viver e aproveitando a vida antes que a vida tire a sua beleza e seu brilho. Mas cuidado, jamais se deixai enlaçar por um rabo de saia ou correrás o risco de perder a sua beleza selvagem e jamais domada.

By Anonymous Lorde Henry, at 11:07 PM  

ADOREI!!!!!!!

By Anonymous Carol, at 10:46 PM  

1:06 AM
 

O primeiro dia. As primeiras linhas...


Os dedos calmos deslizavam sobre as folhas do livro. Estava um dia ameno. Sem muito sol ou mesmo calor em Londres. A cidade amanhecia em seu constante fog. Não havia conseguido dormir direito. As palavras daquele homem ainda ecoavam na mente de Dorian. “A vida moral do homem faz parte dos temas tratados pelo artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. Nenhum artista quer demonstrar coisa alguma. Até as verdades podem ser demonstradas.” Ergueu os olhos negros daquelas paginas de papel papiro amarelados.. e os voltou para o objeto recoberto com o tussor de seda rubro carmim. Ali estava a verdade retratada. A verdade que Basil havia conseguido extrair da essência de Dorian. Ilustrada em um quadro que jamais teve coragem para olhar. Talvez porque aquele quadro refletia tal como um espelho suas íntimas verdades. Aquelas que um homem de bem e íntegro negaria a todo e qualquer custo. A verdade exibida mesmo através daquela expressão graciosa e bela que estava pintada na tela. A figura de um adônis de marfim e pétalas de rosas. A figura dele mesmo, Dorian Gray tal como era. E porque aquele quadro lhe causava tanto incômodo interior, se era uma obra tão bela e bem trabalhada? Talvez não fosse o quadro e sim as palavras de Basil que ainda ecoavam em sua mente.. Suspirou fundo fechando o livro e deixando-o sobre a mesinha de madeira escura ao lado da cadeira de leitura e ergueu-se caminhando até o objeto coberto. Deixando a ponta dos dedos alvos e delicados tocarem a superfície de madeira da moldura daquele quadro. Suspirou levemente, lembrando-se dos momentos em que fora modelo para aquilo. Baixou os olhos negros e os cabelos densos e negros como o abraçar da noite lhe caiam no rosto pálido. Puxou o relogio de bolso, pela correntinha dourada que pendia sobre o colete acinzentado do paletó. 20:00h e onde estava Henry? Que mania insuportavelmente indelicada de atrasar-se para todos os compromissos. Havia um baile na corte e Dorian era convidado de Lady Brandon. Haviam vantagens em pertencer a corte, mesmo que se insista em manter a casa com móveis velhos e ares sombrios como era a sua própria. Ainda assim havia um certo reconhecimento que sua figura trazia. E a própria companhia do nem tão educado Henry, que fazia questão de esquecer da pontualidade que lhe deveria ser caracteristica. Como era a todos os britânicos. Henry fazia apenas para irritá-lo, só poderia ser. Apenas pq Dorian presava a etiqueta. Era um baile e como todo baile sempre haviam lindas damas em vestes que lhes acentuavam os volumosos seios sob os vestidos, rendas e anáguas. Sorriu retirando os dedos de cima do tecido e guardando o relógio. Teria tempo.. tempo para começar a escrever suas memórias. Nem se lembrava desde quando havia decidido que tornaria registros suas memórias, aventuras ou devaneios. Na verdade talvez fosse a vontade de falar para alguém quando não desfrutava da companhia do pintor. Talvez fosse a necessidade de não depender tanto do querido amigo. E sim, de poder contar a algo, nem que fossem folhas de papel seus temores, ou mesmo desejos. Sim.. escreveria um diário. Um diário que o retratasse quase tão bem quanto esta maldita pintura que fazia questão de esconder de si mesmo no sótão. Deu as costas para o quadro e caminhou para a porta para sair do sótão. Descia as escadas calmamente, a calça num tom de cinza claro, tão bem talhada pelas mãos de Francian seu alfaiate lhe empregava um ar mais jovial, talvez pelas cores. Talvez pela moda do corte e caminhava pela sala até o escritório, sentando-se com calma à mesa. Puxava a pena, o papel papiro e suspirava de leve. Depois teria que dar um jeito de encadernar, mas isso faria com o tempo, quando as folhas começassem a se amontoar. Quando as historias corressem o risco de se confundir. Sorriu imaginando o que diriam se de repente por um acaso do destino seus escritos caíssem em mãos alheias. O que diriam as senhoras recatadas e seus trajes negros como as aves de mau agouro.. o que diriam os padres e seus conselhos de redenção? As jovens moças ele sabia: enrubeceriam mas apertariam as folhas entre os arfantes seios e os levariam para guardar abaixo dos travesseiros e ter sonhos e mais sonhos dos quais os anjos da guarda se envergonhariam. Os jovens rapazes menos tradicionais talvez o tomasse como herói ou ídolo.. exemplo a seguir. Os mais ortodoxos o chamariam de devasso.. Riu-se enquanto umidecia a pena na tinta negra e as letras bem desenhadas começavam a surgir naquela amarelada folha de papel. Seu diário seria um livro. E como diria Henry, Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livros são bem escritos, ou mal escritos. E é tudo.


Assinado por Dorian Gray

1 :...E assim segue um novo dia...:

Eu deveria dizer que Basil, sempre fora afortunado em conhecer-te primeiramente. Pois ele detivera a maior parte do tempo de tua atenção. Mas estás a escrever um diário, por sentirdes minha falta meu belo amigo? Não detenhas teu tempo em tão... Desesperado ato. Esqueças tuas impressões meu caro amigo, pois um dia, quando estiver velho, enrugado e feio, quando o pensamentos lhe houver traçado vincos na testa e a paixão tiver lhe crestado os lábios com seu fogo detestável, terá a impressão terrível. Viva! Viva a vida maravilhosa que tem em si! Não desperdice sequer migalhas. Procure sensações novas. Não tema nada... Apenas viva...Mas quem sabe ao encontrar teus desesperos... De ti poderei arrancar os rebuscares de ar, pedindo-me mais uma vez para que eu me silencie?

By Anonymous Lorde Henry, at 6:51 PM